As ações de marketing mais criativas da semana: 02 a 08/11

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Toda semana, marcas no Brasil e no mundo testam ideias que ultrapassam o limite da simples divulgação de produto e entram no território da cultura. É nesse ponto, quando o marketing se mistura ao comportamento, que surgem as campanhas que realmente param o feed.

A seguir, reuni as ações mais criativas da semana e analisei o que cada uma ensina sobre posicionamento, timing e conteúdo de marca. Vem comigo! 

1) Morto de Fome: a hamburgueria que viralizou com um caixão

A hamburgueria “Morto de Fome” viralizou com uma ideia inusitada: entregar pedidos em mini caixões personalizados com frases provocativas como “Chorando de Fome” e “Verde de Fome” (a versão vegana). A brincadeira, que mistura humor e estética macabra, rendeu mais de R$150 mil em faturamento no mês.

Essa é uma aula sobre storytelling visual e coerência de marca. A estética do “caixão” é um gesto ousado, mas coerente com o nome, o tom irreverente e o público da hamburgueria. Em vez de depender de anúncios, a Morto de Fome construiu um produto que gera mídia espontânea. 

Resultado? Além do faturamento, a entrega virou pauta em portais, conteúdo de criadores e material compartilhável. Essa é a prova viva de que as marcas que entendem o poder do humor e do design como ferramenta de mídia conquistam alcance sem mídia paga.

2) Coca-Cola: sabor natalino com baunilha cremosa

A Coca-Cola lançou uma edição limitada com toque de baunilha cremosa, inspirada no tradicional Coke Float (refrigerante com sorvete, no Brasil é mais conhecida como Vaca Preta). A novidade chega para reforçar o imaginário de Natal da marca, com apelo emocional e nostálgico.

Mais do que um novo sabor, a marca ativa sua tradição sazonal. Afinal, o Natal é o território simbólico mais valioso da Coca-Cola, e cada nova edição fortalece esse vínculo emocional. 

A estratégia é clara: oferecer novidade sem romper com a familiaridade. Isso mantém o interesse do consumidor e preserva a coerência de marca. E para profissionais de marketing, é um exemplo de inovação controlada, o tipo de movimento que renova o desejo sem fragmentar o posicionamento.

3) Domino’s: pizza grátis para quem fez o Enem

A Domino’s anunciou uma ação nacional oferecendo pizzas grátis para quem prestou/vai prestar o Enem nos dias 9 e 16 de novembro. No Pará, onde as provas acontecem em outras datas, a campanha foi adaptada, um detalhe que mostra planejamento e execução regionalizada.

Essa é uma lição de marketing de oportunidade bem executado. A marca se conecta a um evento de forte mobilização emocional (o Enem) sem forçar um discurso. A entrega é simples, direta e compartilhável. Além disso, a ação reforça a Domino’s como uma marca do momento, que entende o comportamento do público jovem. 

Para quem trabalha com conteúdo, a dica é clara: vale observar o timing e a contextualização regional, muitas vezes ignorada por grandes players.

4) Domino’s x Nutella®: collab que apela ao sensorial

A Domino’s uniu-se à Nutella® para lançar uma linha inédita de sobremesas, unindo dois gigantes do prazer alimentar. A proposta é simples: indulgência e desejo visual, reforçando a tendência de conteúdos gastronômicos sensoriais.

Essa parceria é puro branding emocional. As duas marcas compartilham arquétipos próximos (prazer, recompensa, indulgência), o que torna a collab natural e desejável.

A ação também demonstra como colaborações coerentes podem ser uma alternativa à saturação publicitária. Em vez de disputar atenção, as marcas somam forças para criar desejo coletivo.

Agora uma observação curiosa, nota-se que essa collab une o útil ao agradável para ambas as marcas: tanto para a Domino’s que já poderia usar a própria Nutella® em suas pizzas doces, mas não geraria tanto buzz, e agora ela pode faturar ainda mais com a colaboração, quanto a Nutella, que chegará a mais pessoas por meio das pizzas da Domino’s. 

5) Mentos: o “jeito certo” de abrir a embalagem

A Mentos lançou uma campanha divertida convidando o público a mostrar “o seu jeito certo” de abrir o tubo de balas, sem instruções formais, apenas com o gesto espontâneo dos consumidores.

Um exemplo refinado de branding participativo. Em vez de impor uma narrativa, a marca legitima o comportamento do público e o transforma em pauta. Essa é a essência do conteúdo centrado na comunidade: a marca cria o palco, o consumidor faz o show.

Lembrando que nessas embalagens da Mentos não há uma instrução de “abra aqui”. A marca deixa para o próprio usuário escolher como ele vai abrir a embalagem. Esse é o tipo de ação que gera engajamento orgânico porque parte de uma verdade de uso, e não de uma ideia de agência.

6) UNO x Harry Potter: a força da nostalgia

A Mattel lançou uma edição Dark Arts do UNO inspirada nas forças das trevas da saga Harry Potter. O jogo substitui as cores tradicionais por símbolos como as Relíquias da Morte e os Horcruxes.

Isso mostra que a nostalgia continua sendo um dos motores mais poderosos do marketing contemporâneo. A diferença está em como ela é usada: aqui, o apelo nostálgico é atualizado com uma estética sombria e sofisticada, alinhada ao público adulto que cresceu com a saga.

Ou seja, é uma lição sobre reposicionamento geracional, manter o produto relevante sem romper com sua herança emocional.

7) Dove: o programa EmbaixaDove

A Dove lançou o EmbaixaDove, um programa de relacionamento com fãs e consumidores engajados. O objetivo é criar uma comunidade de defensores da marca e ampliar o alcance do conteúdo gerado pelo público.

Essa é uma estratégia de advocacy marketing em sua melhor forma. A Dove, que há anos investe em propósito e representatividade, agora transforma esse discurso em comunidade ativa. A ação demonstra que, em 2025, a fidelização não acontece mais via descontos, mas via pertencimento.

8) Johnson’s Baby: reposicionamento com propósito

A Johnson’s Baby anunciou a reformulação de suas embalagens e fórmulas, acompanhada de um reposicionamento global da marca, mais conectado às novas gerações de pais. 

De fato, é um exemplo de rebranding discreto, mas estratégico. A marca não apenas muda sua aparência, mas atualiza seus códigos simbólicos, mais neutros, suaves e modernos. É um movimento de rejuvenescimento sem ruptura, algo raro em marcas com mais de meio século de história.

9) Canva x Sebrae: educação como ferramenta de marca

O Canva iniciou uma turnê global em parceria com o Sebrae, passando por mais de 30 países para capacitar 1 milhão de pessoas em comunicação visual.

Essa é uma das ações mais consistentes da semana porque transforma o produto em propósito.

O Canva não fala sobre “ensinar design”, ele materializa sua proposta de valor: empoderar pessoas a se comunicarem melhor. É o melhor tipo de marketing de conteúdo, aquele que resolve um problema real e amplia o ecossistema de marca.

Por fim, o que conecta todas essas ações da semana é simples: elas não vendem, elas provocam.

Seja com humor, nostalgia ou propósito, as marcas que dominam o conteúdo em 2025 são aquelas que entendem o contexto cultural e se permitem ocupar o espaço da conversa, não só da conversão.

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