As ações mais criativas da semana (26/10 a 01/11 de 2025)

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Nesta última semana (26/10 a 01/11) vimos diversas ativações que misturam humor, nostalgia, cultura pop e oportunidade comercial, do “boleto que vira sanduíche” a homenagens de marcas ao encerramento de um ícone do jornalismo. 

Neste post eu destrincho cada ação, avalio o insight estratégico por trás dela, explico por que funcionou (ou não) e trago aprendizados práticos que você pode aplicar nas próximas campanhas.

Por que essas ações se destacaram? 

As campanhas desta semana compartilham três características em comum:

1) uso de momentos culturais (Halloween; despedida de William Bonner);

2) ativações de baixo atrito que geram talkability (trocar um boleto por um lanche; cupom de McFritas) e

3) colecionáveis/licenciamentos que expandem presença de marca além da mídia tradicional (canetas temáticas, capas de revista). 

A seguir, veja uma análise detalhada de cada ação.

1) Burger King + Serasa

Ação de BK + Serara que trocou boletos por sanduíches. Imagem: Reprodução.

Em uma ação batizada de “Bole-Thru”, o Burger King, em parceria com a Serasa, permitiu que consumidores apresentassem qualquer boleto (pago ou não) nos drives participantes para trocar por um sanduíche grátis no dia 31 de outubro de 2025, uma ativação fortemente ligada ao tema “medos da vida adulta” e ao Halloween.

Por que funcionou:

  • Relevância emocional imediata: boletos são um “medo” avaliável e universal, metáfora perfeita para o Halloween aplicada ao posicionamento da marca.
  • Ativação simples: troca no drive-thru não cria barreiras (baixa fricção).
  • Cobertura editorial garantida: a proposta é fácil de explicar em poucas palavras, viraliza em mídias sociais e imprensa.

Riscos e pontos de atenção:

  • Percepção de insensibilidade: brincar com problemas financeiros pode soar oportunista; execução de linguagem e timing precisam cuidadosa curadoria.
  • Logística: controle de fraude (apresentação de boletos falsos) e custos unitários da promoção.

Apesar dos riscos, essa ação mostra que aproveitar uma data sazonal de forma inteligente gera muito mais impacto do que apenas publicar um post de “Feliz Halloween”. O segredo está em conectar a essência da marca com a data comemorativa. Assim, há grandes chances de chegar a um resultado como esse! 

2) Fanta + JCDecaux

Mão gigante de Chucky na Estação Sé. Imagem: Reprodução.

A Fanta instalou uma enorme mão do boneco Chucky no anel central da Estação Sé (SP), promovendo a edição limitada “Fanta Chucky Punch”. A peça foi complexa (meia tonelada; içamento) e ficou visível para milhares de passageiros. 

Por que funcionou:

  • Impacto experiencial extremo: OOH grande e inesperado em uma estação de alta circulação gera fotos espontâneas e UGC (user-generated content).
  • Sinergia com produto: a ambientação reforça a edição limitada e cria contexto emocional (Halloween).
  • Parcerias táticas: trabalhar com uma líder de OOH (JCDecaux) acelera aprovação e execução.

Riscos e pontos de atenção:

  • Custo e logística altos; sucesso depende de cobertura orgânica.
  • Possível conflito com normas públicas (segurança, autorização em espaços públicos).

A mão do boneco Chucky não impactou somente o público que frequentou a Estação Sé, mas também uma boa parcela dos usuários das redes sociais. O legal desse tipo de ação é que ela ultrapassa a área física e vai parar na tela dos smartphones, chegando ao maior número de pessoas possível. 

3) BIC + Netflix

BIC e Netflix anunciam collab. Imagem: Reprodução.

A BIC anunciou uma collab com a Netflix para lançar a linha Stranger BICs, uma reinterpretação da clássica caneta BIC 4 Cores com arte e embalagens temáticas ligadas a Stranger Things. A coleção inclui kits e edições especiais. 

Por que funcionou:

  • Produto acessível + fandom robusto: canetas são itens de consumo com preço baixo, fáceis de comprar por fãs e colecionadores.
  • Extensão natural da marca: BIC historicamente tem colaborações que fazem sentido (objetos do dia a dia com apelo pop).
  • Campanha “phygital”: combina lançamento físico com um buzz digital (influencers, fake OOH teasers).

Riscos e pontos de atenção:

  • Saturação de licenciamento: é preciso garantir que o produto tenha diferencial real, design colecionável, embalagem premium, storytelling adicional.
  • Estoque e escassez devem ser geridos para evitar frustração.

4) Amstel, Méqui e Nubank

Marca McDonald’s em homenagem ao último “Boa Noite” de Willian Bonner no JN. Imagem: Reprodução.

Várias marcas aproveitaram a saída de William Bonner do Jornal Nacional para ativações rápidas: a Amstel produziu uma inserção homenageando o apresentador; Méqui (McDonald’s) ofereceu McFritas grátis via cupom “BOANOITE”; e Nubank exibiu peça minimalista de agradecimento com o fundo roxo e a mensagem “Depois de mais de 10.000 ‘Boa Noites’, só nos resta dizer: obrigado!”. 

Essas campanhas ganharam grande repercussão no dia da despedida. 

Por que funcionou:

  • Timing impecável: capitalizar um evento cultural em tempo real aumenta relevância.
  • Tonalidade e respeito: peças que homenageiam, em vez de explorar de forma agressiva, geram empatia e boa PR.
  • Conversão direta: cupom para McFritas traduz atenção em ação imediata dentro do app.

Riscos e pontos de atenção:

  • Sentido com a marca: as mensagens devem fazer sentido, pois as marcas podem surfar uma onda que não tem nada a ver com elas. 
  • Ruído de marca: muitas marcas fazendo o mesmo momento pode diluir memórias; destaque vem da originalidade.

5) M&M’S Verde na capa da Elle View

M&M’S Verde na capa da Elle View. Imagem: Reprodução.

A M&M’S Verde estampa capa da Elle View em uma ação que pretende aproximar os personagens da marca do público brasileiro, destacando individualidade e personalidade como eixo da comunicação. 

Por que funcionou:

  • Brand-personality: transformar personagens em “influenciadores” da própria marca ajuda a expandir narrativas e atingir públicos específicos (Gen Z, moda).
  • Cross-media: capa de revista confere prestígio e posiciona o personagem além do ponto de venda.

Riscos e pontos de atenção:

  • Mensagens sobre representatividade e estereótipos precisam ser bem trabalhadas para evitar críticas.
  • ROI de editorial de moda é difícil de medir; combine com códigos QR ou ativações digitais.

6) Heineken e o GP de São Paulo

Garrafa comemorativa da Heinken para a GP de São Paulo.

A Heineken lançou garrafa comemorativa (long neck 330 ml) para o GP de São Paulo de F1 2025 em quantidade limitada e preço sugerido em supermercados de São Paulo. (cobertura local apontou distribuição limitada). 

Por que funcionou: a F1 é um evento premium e limitado: as garrafas comemorativas reforçam a exclusividade e colecionabilidade, ótimo para varejo e presença de marca em pontos de venda.

7) Grupo Boticário

Grupo Boticário lança iniciativa voltada ao uso consciente de produtos de skincare entre adolescentes. Imagem: Reprodução.

O Grupo Boticário lançou o movimento “Pacto Skincare Responsável”, uma iniciativa voltada ao uso consciente de produtos de skincare entre adolescentes. A ação surge em resposta ao aumento do consumo precoce de cosméticos e à pressão estética amplificada pelas redes sociais. 

O movimento propõe um diálogo aberto sobre autocuidado, segurança dermatológica e a importância da orientação profissional, com o apoio de especialistas, dermatologistas e educadores.

A partir de novembro, todos os conteúdos postados por essas marcas nas redes sociais a respeito de produtos de cuidados com a pele, que sejam direcionados a pessoas com mais de 18 anos, trarão a mensagem “recomendado para peles adultas”.

O que essas campanhas, em conjunto, nos ensinam?

Ao observar todas essas ações sob uma mesma lente, fica evidente que o marketing atual vive uma fase em que a criatividade sozinha já não é suficiente, ela precisa vir acompanhada de contexto cultural, timing e propósito real

As campanhas desta semana mostram que marcas de diferentes segmentos estão aprendendo a se mover com agilidade, mas também com estratégia: entendendo o que o público sente, o que a sociedade discute e o que a mídia amplifica. Veja só: 

  1. Momento + Metáfora = Viralidade: transformar um insight cotidiano (boletos, despedidas, nostalgia) em metáfora cultural é poderosa.
  2. Baixa fricção converte atenção em ação: cupons simples, troca presencial e brindes imediatos aumentam conversão.
  3. OOH ainda é eficaz quando vira conteúdo social: ativações físicas precisam de gatilhos digitais (hashtag, AR filter, QR) para multiplicar alcance.
  4. Licenciamentos e colecionáveis ampliam LTV: produtos acessíveis (canetas, garrafas) transformam a atenção em receita e colecionismo.
  5. Real-time marketing exige autenticidade: não basta surfar a notícia; a marca precisa contribuir com tom apropriado e valor para o público.

Checklist tático para replicar ações similares 

Se você curtiu algumas dessas ações e pensou: “como posso aplicar isso na minha marca?”, eu separei um checklist prático para você aproveitar essas ideias e levar para o seu marketing. 

  • Identifique o insight cultural que conecta com sua marca (evento, medo, nostalgia).
  • Valide a ideia com 3 camadas: operacional (logística), reputacional (sensibilidade) e legal (autorizações).
  • Crie um call-to-action com baixa fricção (cupom, resgate instantâneo, troca no PDV).
  • Prepare assets digitais prontos para amplificação (Instagram, TikTok, OOH digital, filtros).

E aí, o que achou dessa curadoria com as campanhas mais criativas da semana? Continue acompanhando o blog da Avance para ficar por dentro das principais tendências e movimentos do marketing, toda semana, trazemos uma análise estratégica das ações que estão dando o que falar no mercado.

Agora, se você quer levar esse olhar estratégico para dentro da sua marca e transformar suas ideias em resultados reais, fale com a nossa equipe e descubra como o marketing digital pode impulsionar o seu negócio.

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