A Black Friday deixou de ser apenas uma data promocional pontual para se tornar um período estratégico comercial que mobiliza marcas tradicionais e nativas digitais.
Em 2025, ela completa 15 edições no Brasil, mas o consumidor não é mais o mesmo. Planejado, mais exigente, multicanal, ele pesquisa com antecedência, compara preços, lê avaliações e espera algo além do desconto: reputação, transparência e experiência.
Neste post, mapeio as principais apostas de algumas marcas nesta temporada de Black Friday, os movimentos que podem virar referência, e os case studies que já antecipam os vencedores do evento, para que você entenda o que funciona, por quê, e como aplicar insights semelhantes na sua estratégia.
Cases promissores e apostas de marca em 2025
Aqui estão algumas ações vistas até agora que ilustram boas práticas, inovação ou risco calculado para esta Black Friday de 2025:
Pague Menos e Juliette: autenticidade e pertencimento
A rede de farmácias Pague Menos escolheu Juliette, acompanhada de sua mãe, Dona Fátima, como o rosto de sua campanha “Pague Menos de Verdade”. O slogan vai além do trocadilho: traduz o propósito da marca de oferecer economia real e se posicionar de forma próxima à cultura popular brasileira, especialmente no Nordeste.
A campanha acerta ao usar identificação cultural como ativo estratégico. Juliette tem enorme força simbólica entre o público nordestino, mas também transcende a região: ela representa autenticidade e simplicidade em um mercado que, muitas vezes, comunica “descontos” de maneira genérica.
Além do filme principal, a marca planejou lives com ofertas exclusivas, ativando o poder do live commerce para gerar conversão imediata e engajamento afetivo. É um exemplo claro de como celebridades com narrativas reais podem elevar campanhas promocionais a um patamar de branding, não só venda.
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TIM e Cauã Reymond: a ousadia do conceito “indecente”
A TIM trouxe uma das campanhas mais provocativas da temporada com o conceito de uma Black Friday indecente. O ator Cauã Reymond estrelou o filme criado pela BETC Havas, que brinca com a ideia de ofertas “irresistíveis a ponto de serem indecentes”.
O tom provocador foge da comunicação tradicional de operadoras, apostando em um humor sofisticado e em um insight validado por dados: segundo a própria TIM, os consumidores esperam algo ousado, único e inusitado nessa data.
Além do filme, teasers com Iza e Ivete Sangalo reforçam a força de mídia da ação, que estreou durante o último Jornal Nacional apresentado por William Bonner, uma jogada de mídia precisa, unindo timing e alto alcance.
Mercado Livre: uma estratégia de tirar o fôlego

Enquanto muitas marcas disputam a atenção no campo criativo, o Mercado Livre aposta em escala e tecnologia. Com investimento de R$ 100 milhões em cupons, 150% a mais que em 2024, o marketplace reforça seu domínio em incentivos financeiros e experiência mobile.
A campanha não se limita ao online: há cashback total em novas maquininhas e benefícios para o ecossistema Mercado Pago, como parcelamentos em até 21 vezes e recompensas em Mélli Dólar. O objetivo é claro: estimular o uso de seus próprios meios de pagamento e fidelizar o consumidor dentro do ecossistema da marca.
Outro ponto de destaque é o reforço da operação logística e humana, com mais de 55 mil colaboradores no período, um lembrete de que Black Friday também é sobre entrega, não só sobre mídia.
Casas Bahia: do digital ao físico com o “Super Black ao Vivo”
A Casas Bahia decidiu ancorar sua Black Friday 2025 nas lojas físicas, mas sem abrir mão da integração digital. Com o conceito “Super Black ao Vivo”, a marca criou uma experiência omnicanal que combina social listening, lives e personalização de ofertas em tempo real.
A ação conecta e-commerce, redes sociais e loja física em um fluxo contínuo, transformando a Black Friday em um evento de interação e presença.
A decisão de priorizar o ponto de venda físico é uma resposta à tendência de reaproximação com o consumidor local, resgatando o valor da loja como espaço de experiência.
Livelo: “Pink Friday” e o consumo que vira experiência

A Livelo, empresa de recompensas, deu uma guinada interessante ao renomear a data para “Pink Friday”, um movimento que combina propósito, diferenciação e benefício tangível.
Em vez de apenas promover descontos, a Livelo convida os clientes a transformarem compras em experiências futuras. Cada transação vira ponto, que pode ser trocado por viagens, produtos ou até dinheiro. A marca uniu mais de 150 parceiros, entre eles Amazon, Shopee, Magalu, Natura e O Boticário, para criar 700 ofertas ao longo de todo o mês.
A estratégia é inteligente: amplia o ciclo de vida da Black Friday e estimula o gasto planejado, não impulsivo. Ao estender os benefícios, a Livelo insere sua marca em um contexto de recompensa e satisfação pós-compra.
O que as marcas devem considerar ao planejar para Black 2025?
Com base em tendências e cases que já despontam, aqui vai um checklist estratégico para marcas que ainda estão ajustando suas campanhas:
| Tema | Pergunta estratégica |
| Dados & IA | Sua marca tem histórico de comportamento do cliente em CRM ou app para personalizar campanhas? |
| Antecipação | Você planejou “pré-Black”, redes de aquecimento ou eventos de conteúdo antes do dia oficial? |
| Segmentação | Está explorando públicos estratégicos (fidelizados; abandono de carrinho)? |
| Omnicanalidade | Seu funil de compra conecta loja física, app / site e canais de comunicação de forma integrada? |
| Automação de marketing | Você tem fluxos prontos para reengajar consumidores com impulso (WhatsApp; e-mail; notificações)? |
| Mídia planejada | Quanto antecipadamente seu budget foi alocado / testado / otimizado com campanhas-piloto? |
| Performance & mensuração | Está estruturado para acompanhar métricas em tempo real (ROAS, CPA, taxa de abandono de carrinho)? |
Por fim, a Black Friday 2025 prometeu ser mais do que um pico de venda, ela foi uma prova de maturidade e preparação. As marcas que entenderem esse novo consumidor, investirem em dados e automações, e que anteciparem sua jornada (não apenas o “dia oficial”) saíram na frente.
Se você quer transformar sua Black Friday em algo estratégico para seu negócio, não apenas em volume de vendas, mas em construção de marca, relacionamento e eficiência de mídia, posso te ajudar na triagem de gaps, sugerir formatos criativos e montar funis otimizados. Vamos conversar?